VOTAÇÃO POESIAS E CRÔNICAS

XVIII Festival de Música e Arte CEPE-FUNDÃO
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Categoria POESIA - Talento Amigo

 

Ressaca

De: Rosamares da Maia

A curva forte e sinuosa do vento
Saudava a saudade no meu corpo.
A força queria faze-me flutuar,
Mas sem qualquer legitimidade.

Quebrou o pudor das minhas saias,
Devassando a minha intimidade.
Nada mais tinha eu para esconder.
Nada havia para perde ou temer.

Mas em fuga corri, busquei abrigo,
Entre as paredes do sétimo andar.
Pelas janelas altas e esvoaçantes,
Divisei a silhueta do vento, o perigo.

Pude ver a vela que teimava no mar,
Presenciei sua força, o tolo destemor, 
Levantaram-se ondas em espuma e sal.
Cova cavada na areia da praia.

Beleza destroçada pela tempestade.
Que sepultou a doce e frágil nau,
Junto com os despojos do meu amor.
Que se deitou na areia, só para morrer.

A Felicidade

De: Willian Terra

Um dia me falaram

Que eu seria feliz

Mas os tempos passaram

E não foi o que fiz;

 

Na vida me chamaram

De quase tudo por aí

Mas nenhuma oportunidade me deram

Nesse tempo que vivi;

 

Os dias já se passaram

E eu não imaginava

Que a tal felicidade tiveram

que muitos a tempos esperava;

 

Então um belo dia

Ela ali estava

Não acreditei que ali estaria

Ela que a tempos aguardava;

 

Essa tal felicidade

Veio em fim me abraçar

Mesmo ao passar da idade

Consegui a felicidade encontrar.

Acidente

De: Jorge Ventura

 

nua andava a palavra

uma louca de pedra

marginal e vadia

 

avançou o sinal

liberta como sempre

mas pra quem sabe ler

sim, todo pingo é letra

 

o amor que transmitia

a bondade e a alegria

sonhos atropelados

por quem ali passava

 

alguns se incomodaram

mas ninguém exclamou

tampouco questionou

 

e o corpo do poema

foi encontrado morto

estirado na rua

feito um ponto final

"TEMPOS NADA MODERNOS"

De: Rosamares da Maia


E de repente na linha de produção ouve-se a voz de "deus":
- Ei você aí de laço vermelho e calcinha cor de rosa! Apanhe já este clipe de papel que você deixou cair no chão. Está pensando o que? Isto custa dinheiro! Mandei contar a sua cota e se faltar algum o RH providenciará uma advertência e o DP descontará do seu salário.

Todos os funcionários atordoados pelo tripalium* eletrônico pararam por uns poucos segundos, para respirar e refazerem-se do susto, mas, a “chibata” digital disparou pequenos choques através dos dispositivos em suas cadeiras, arrancando-os da momentânea letargia.

 

Novamente "deus" vociferou como a voz do trovão: - Vou retirar cada segundo dos seus tempos de banheiro!

A moça do laço vermelho pensava disfarçadamente, enquanto executava mecanicamente a sua tarefa insípida, sem nenhuma perspectiva de ascensão profissional. Esta era também, uma estratégia produtiva. Tarefas fragmentadas e incapazes de ensejar uma carreira promissora. Como a fórmula de certo produto, que ninguém sabia qual parte, ou o que e para o que estava fazendo.

Os chefes nasciam em uma linha de chefes, os patrões eram herdeiros de uma dinastia linear de sucessão, onde quem não pertencia à linhagem não se aventurava. O ápice da tecnologia aperfeiçoou a aventura.  Cada qual em seu lugar. Sem conflitos sociais.
 
Voltando a moça do laço vermelho, ou,... seria do laço cor de rosa e calcinha vermelha? A questão da moça era justamente esta. – Como ele sabe que estou, hoje, de calcinhas cor de rosa?

Estupefata constatou o que já suspeitava. Como se não bastasse o scanner poderoso pelo qual todos passavam ao entrar e sair da empresa, que detectava até se o seu estomago estava cheio e calculava a hora provável da realização das suas necessidades fisiológicas – o máximo da tecnologia moderna, contra a indolência dos empregados. O seu tempo de banheiro estava sendo rigorosamente monitorado. Era obvio! “Tempos e Movimentos”. O uso da água era cronometrado, a quantidade de papel higiênico era liberada por uma máquina, por tanto, se você fosse fazer o um ou o dois, tinha que apertar o botão certo, senão “já era”, ou usava para o 1 ou para o 2. E a luz também, era cortada no tempo exato. Tudo com base em estudos de laboratórios e experimentos. Claro que com milhares de trabalhadores e máxima segurança de resultados.

Por que então, as suas calcinhas e o restante das suas intimidades também não seriam monitoradas?

 

Dizem, que em breve, um grande investimento seria feito, no sentido de acompanhar cada empregado nos pós trabalho. Máquinas com infravermelho monitorariam todos - logicamente num supremo exercício de “bem-estar social”.

As máquinas demonstrariam com precisão a hora em que o empregado fazia as suas refeições, via TV, fazia sexo e finalmente dormia. Esta analise determinaria, se o tempo gasto influenciaria no seu rendimento produtivo, eliminando pelo processo seletivo todos os que demonstrassem resultados inadequados. E isto dentro da máxima legalidade, pois ao assinar um Contrato de Trabalho, todos assinavam previamente a permissão dos avanços tecnológicos no mundo moderno das relações de trabalho. Afinal de contas as tentativas de humanização do processo têm avançado muito.

 

Mas, eis que uma ferramenta natural e quiçá Divina, como uma onda, uma Pandemia, alterou todo o curso da história da Humanidade, dobrando todos os joelhões, subjugando toadas as tecnologias e, ainda não se sabe a rota traçada por seu Criador, somente sabemos que tudo está diferente.


 

*Derivado do verbo trabalhar, O significado da palavra trabalho remonta à sua origem latina: tripalium (três paus) - instrumento utilizado para subjugar os animais e forçar os escravos a aumentar a produção.

Categoria CRÔNICA - Talento Amigo

 

Categoria POESIA - CEPE

Nada em outubro é rosa

De: Rubem Fabiano Machado

...Outubro é rosa, 
pois os seios que amamentam a vida é rosa...
...não por ser outubro rosa...!!!
...nada em outubro é rosa....!!!!
Para algumas flores nem em outubro a vida é rosa...
Rosa não é uma cor...uma flor...!!!
Rosa anda na periferia, na agonia, na aflição de não poder ser Rosa...
Deixa eu escutar teus seios...
Teus anseios....
Não há outubro rosa...
Nada em outubro é rosa...
Outubro é rosa...!!!

 "Não vos conformeis"

De: Rozária Araújo Loureiro


....muito obrigado pelo teu preconceito...
...pois ele nos faz ir a rua e gritar em cores...
Não somos melhores, nem piores somos...
Apenas não somos iguais...!!!
Muito obrigado por tua arrogância em forma de flor...
"Não queria morrer agora...
Só, simplesmente, respirar...!!!"
Muito obrigado por desmatar o nosso ar...
Por, inocentemente, destruir nossa manhã...
Desculpa não entender que, morar na rua é o melhor lugar...
" Não vos conformeis com este mundo...
Mas, transformai vos pela renovação da vossa mente"

Vida

 

De: Elizia Gomes

A vida é efêmera
A vida é agradável
Umas vezes tranquila
Outras vezes, instável

Precisamos saber por onde andar
O que falar
Com quem se dar
E pra quem se dar.

Para quando, enfim
Ela se acabar
Você não se arrependa
E, finalmente aprenda
Que pra viver bem
É só deixar rolar.

 

Categoria CRÔNICA - CEPE

 

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