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VOTAÇÕES ENCERRADAS

Votação Popular - CRÔNICAS

Resultados no dia 3/12/19
no Teatro Rival Petrobras

  • Aqui você pode votar na crônica de sua preferência.

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SINUOSIDADES CRUAS

De: Pinga Fogo

 

Ardilosamente calculista e destruidora, como uma ventania que se transforma em uma tempestade chorando raios, ela chegou ao nosso recanto com sua astúcia.

 

E meticulosamente, como numa bonança de calmaria, se interpôs como uma pessoa ávida em prática pelo voluntariado. Dela, surgiram demandas de luz, surtos de solidariedade e muita energia que vibrava intensidades mútuas.

 

Mas, na sua ânsia de crescimento material, esqueceu aquela gratidão que antecedia o ferimento que se chagava ao amanhecer, por uma ampulheta que dela fomentou ambições paulatinamente nas areias do anoitecer de sua cronologia, devorando-nos, como um escorpião, que, por sua natureza, fere uma corrente fraterna sem ao menos entender o valor intrínseco da sua interioridade.

 

E assim sendo, por determinação temporal da sabedoria, apenas nos acrescentaram mais ensinamentos que surgiram após esse tufão devorador levar nossas areias da labuta, imputando-nos uma fase ainda em lama, mas, que antecede o cimento da solidez que virá em breve.

PARA ONDE VAI A FOLHA?

De: Lígia Feijó

Uma folha bem verdinha morava no alto de uma árvore escura num parque bem no meio da cidade. Vivia tranquila respirando o dia, a noite, o sol, a chuva, o tempo.  Ouvia muitos sons, passarinhos eram seus moradores com seus cantos.  Ouvia sons da cidade: buzinas, freadas bruscas, cano de descarga de motos, latidos, miados, gente falando, tocando músicas. A folha ouvia tudo, se balançava ao vento, bebia água da chuva, do orvalho, se aquecia ao som, desfrutava o silêncio da noite escura.  Um dia um vento forte puxou a folha que voou e caiu no lago, com águas frias, ela sorria e boiava olhando o céu com nuvens em formatos novos a todo instante. Tantas visões e sensações diferentes nesta nova fase da vida da folha.  Até uma rã que cantava na beira do lago, talvez saudade, paixão ou quem sabe uma serenata para a lua, tilápias que deslizavam nas águas cristalinas.  Mas isto também não durou muito tempo, o momento das águas, os ventos fizeram a folha voltar à sua casa materna, a grande árvore escura do parque.  A grama era macia, aquecida pelo sol.  Ali via e ouvia outras coisas: pessoas passando, pedras rolando distraídas no meio do caminho.  Formigas, apressadas como sempre, carregadas com grãos e tudo que podiam levar para suas casas.  Ela sorria e pensava: ser estranho a formiga, vivem trabalhando, acumulando, suas vidas são tão breves, fazem tudo em grupo como se não existissem individualmente.  Na verdade não existem mesmo.

 

O tempo foi passando, girando no dia e na noite, na chuva, no vento, no sol.  Ela ficando sequinha, se partindo em vários pedaços que a terra ia comendo aos poucos, se juntando a outros fragmentos de folha, de galhos e até parte de bichos que já haviam vivido ali há muito tempo, esquecidos.  Tudo se unindo, misturando, formando uma nova coisa: forte, viva, nutritiva.  Eu aqui neste banco me pergunto: pra onde vai a folha?

CRÔNICA DA SAUDADE - As perdas que nos tornam menores

De: Rosamares da Maia  

 

Descobri recentemente que a dor mais forte de uma perda é a sensação de nos tornarmos menores diante do Mundo. Eu explico! Quando você perde os seres que ama, independentemente de ser uma perda pela morte, ou se por novos rumos, outros caminhos aos quais a vida nos conduz, a sensação que temos é a de que perdemos substancia e consequentemente diminuímos de tamanho. É, pode parecer estranho, mas, a sensação é exatamente esta. Você encolhe e o mundo a sua volta fica maior. Acho que por isto a dor é tão profunda. Há um vazio deixado que não se recompõe, muito embora tudo seja como um rio seguindo o seu curso. 

 

Você certamente aprenderá a conviver com a ausência, porque você está impregnado quem partiu, faz parte de como você viveu, do seu amor. A ausência é preenchida por este sentimento que chamamos de saudade, que na realidade é somente um compartimento que acomoda a sua dor, para que ela não se torne insuportável. 

 

A ausência não tem a plasticidade necessária para se transformar em outra coisa, não pode substituir quem se foi, mas você sim. Você regenera as células dos seus sentimentos e acomoda a sua dor, tudo bem comprimido dentro do peito, lá no tal departamento chamado saudade. 

 

Sublimamos tudo para continuar vivendo, mas encolhemos e tudo a nossa volta ficou maior, porque o espaço ocupado por quem nos deixou está lá, vazio. A lua é a mesma e as estrelas piscam para a sua solidão noturna – à noite o espaço para a solidão é ainda maior. Você senta no banco do jardim e percebe o quanto ficou menor, seu peito parece que vai explodir. Você pode ficar sentado no banco esperando a madrugada, esperando até ser colhido por uma brisa fria e depois você espera o sol te dar bom dia pela manhã, ou se o tempo mudar, você pode se banhar na chuva fina, mas, nada disto vai alterar esse seu sentimento de perda, de encolhimento diante do mundo. 

 

Você olha para o velho banco que subitamente se agigantou e fica como uma criança encolhida no cantinho, esperando, sem saber o que, então, uma mão invisível te pega e te devolve à esperança, você sente um sopro com perfume de vida em sua testa. Ele te coloca para dormir e sonhar. No sonho você aprende uma nova lição e renasce para a sua fé, então, você acorda para seguir em frente, não importa de que tamanho você tenha ficado. Deus por bondade e graça te mostra à dimensão Dele diante do Mundo.

ENERGIA QUE CONTAGIA
De: Elízia Gomes

 

Até que ponto a energia de uma pessoa influencia na vida da outra? Veja esse exemplo:  Beth amanhece muito feliz, com uma energia ótima, pois é o dia do seu aniversário, um dia muito importante pra ela. Ela tem certeza de que irá contagiar a todos no trabalho e, ao saber da data, todos irão parabenizá-la e farão questão de almoçar com ela, fazendo, ao final do expediente, uma bela festa surpresa. Quando chega no trabalho, Beth tenta falar com os colegas que hoje era o dia do seu aniversário, mas eles, tão envolvidos com seus afazeres, estão com outra energia, não dão importância à Beth e nem a deixam falar do seu aniversário. O chefe, além de não deixá-la falar, ainda é grosseiro com ela e leva todos do escritório para uma reunião, menos Beth.  Ela fica desapontada com tanta truculência, e sua energia que antes era boa, vai sendo contagiada por tudo o que acabou de passar e assume a energia ruim dos colegas, tornando-se áspera e hostil.  

 

Enquanto Beth está envolta em seus pensamentos, chega o faxineiro com uma energia ótima dizendo que aquele dia era muito importante. Mas ela já estava tão contagiada com a hostilidade do ambiente, que nem deixa o pobre homem terminar de falar, exatamente como fizeram com ela.  Diz a ele que hoje era dia de faxina e ela iria sair para deixá-lo trabalhar em paz.  Só que o faxineiro, quando disse que o dia era importante, referia-se ao aniversário dela e tinha levado uma rosa para parabenizá-la, mas nem deu tempo. Beth saiu furiosa da sala deixando o homem triste e desolado, o único que havia se lembrado do seu aniversário. A energia do faxineiro, incialmente positiva, é contagiada pelo mau humor de Beth, que já havia sido contagiada pelos colegas. O faxineiro, então, joga a rosa no lixo e sai com raiva.  

 

Esse ciclo vicioso faz parte da nossa vida sem que a gente perceba. É preciso tomar muito cuidado com a palavra dita pois, uma vez mencionada, não há como voltar atrás. Isso pode acabar com o dia e a energia de alguém.