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VOTAÇÕES ENCERRADAS

Votação Popular - POESIAS

Resultados no dia 3/12/19
no Teatro Rival Petrobras

  • Aqui você pode votar na poesia de sua preferência.

  • Só vale um CPF por votação.​

CONSCIÊNCIA NEGRA
De:
Abif Monjardin

 

Uma consciência que dourou por tanto tempo, 
brilhando, mesmo sob torturas e chicotadas ao relento, 
amenizadas apenas pela generosidade do vento 
que não titubeava e gratificava seus sofrimentos.


Uma nação que perdia esforços diante de sua natureza, 
mas, que ganhava movimentos de grandeza 
à custa de muitas vidas negras, 
enfileiradas no custeio das suas riquezas.


Diante dos feitores sem noção, tesouros saqueados 
das Vilas Reais desta nação, 
comprometeram o gigante precioso, 
mas, ganhando forças negras da razão, 
inusitadas como fulgores leões, 
ganharam muitas e muitas adesões.


E pelas lembranças dessas batalhas raciais, 
na sua cronologia impiedosa, mas, ávida por surpreender 
ao que se parecia ainda incapaz, 
hoje nos inspira justiça aos maus-tratos 
acometidos às forças do bem, 
que tanto caminharam nas terras ricas 
dos mantos dos Campos Gerais.

E pelas inglórias injustas, intensas e impiedosas, 
que sacrificaram o nosso mesmo sangue, 
lembremos, que ainda jorra sob a intolerância 
e a insensatez, muita ingratidão. 

Lembremos que ainda existem 
sob os devaneios e a incredulidade 
dessa incapacidade burguesa, mais franqueza.

Lembremos que ainda falta 
muita fraternidade desses representantes maus, 
que não nos honram, mas, que nos crucificam 
por deliberados insultos do mal.

Oh! GRATIDÃO
De: Pinga Fogo (CRC)

 

Oh! Gratidão

Que chega como a energia que me alumia

 

Ainda que os problemas estejam diante de nós

Bem-aventuradas são as oportunidades recebidas

Em gratidão pela vontade do Senhor

Que nos ama incondicionalmente

 

Ainda que as intempéries surjam em nossa proximidade

Bem-aventurados sejam os anjos

Que nos doam emanações em proteção

 

Ainda que os absurdos tentem nos calar

Bem-aventurados sejam os louvores

Que nos chegam pelas graças da Benevolência Maior

Aquela força que nos guia

Sinalizando-nos as soluções diante de tudo e de todas as coisas

Que se apõem aos nossos plantões de paz, harmonia e amor

 

Ainda que tentem nos cegar

Bem-aventurada a gratidão de conviver na voluntariedade ofegante do amor

Com as verdades que antecedem oferendas vivas e presentemente reais

Mas, sem subterfúgios

 

Ainda que tentem nos matar

Bem-aventuradas sejam nossas vontades de viver

Porque nada somos sem esses elos que nos permeiam em totalidade

Do mundo profano à interiorização do nosso eu

Onde nos amparamos das ansiedades

Dos malefícios que tentam, mas não conseguem,

Superar a receptividade das vibrações marcantes

Que nos protegem e que nos conduzem à verdadeira luz

 

Oh! Gratidão

Bem-aventurada a sua energia que me conduz e me alumia

Que me protege e me enaltece

No sabor das minhas lágrimas

No fulgor da sua Luz

No exemplo da sua Cruz!

AS QUATRO ESTAÇÕES

De: Rosamares da Maia

 

É outono e o tempo passa macio, faceiro.

A primavera hiberna para desabrochar, 

No turbilhão de cores e exóticos perfumes. 

A água flui, vai encontrar o rio matreiro, 

 

Que manso e brejeiro alimenta as margens. 

Um ritual de fertilidade dá a vida passagem, 

Mesmo se a estação se despe para o outono, 

Ou para o inverno, da luz que morre cedo. 

 

Sempre a florescer, ofereço-me sem medo. 

Banhos no orvalho nua, na luz prata da lua. 

Olhos abertos, danço, na calçada, na rua. 

A brisa fria sopra a oração - mística liturgia. 

 

Sou a flor de semente somente Maria. 

Sem pudor, impura, ao lado da estrada. 

Do bem ou do mal, a margem do nada. 

No momento certo, sou casta primavera. 

 

Não há novidade, só fervor e intensidade,

Constatação e prazer, a estação me invade.

Logo é fogo, o corpo aquece, de febre arde. 

E o desejo forte tudo consome em emoção. 

 

A razão sublimada explode em nova paixão. 

A luz dourada traz a nova estação -  é verão.

Nova semente plantada - ciclo que se refaz. 

A semente Maria regada é vida em profusão.

DIA 12: DE FLOR E DE FRUTAS
De: Jorge Ventura

 

Porque eu colho aromas

desde o dia em que eclodiste

em flor para mim.

Lembro-me da primeira vez:

afoitos,

germinamos sementes

a poucas horas de a poesia

verdejar num plantio de egos

 

mas aquele dia nasceu tão Eros

feito os dias que começam

com um simples café da manhã

e terminam em tardes fecundas

de vontades noturnas

 

Permitiste

enraizar-me em teu íntimo

em teu sexo solar e frutífero

Senti o cheiro

de terra úmida de chuva

e provei do teu sabor

qual morango e uva

à época da boa colheita

 

Hoje – humilde agricultor –

cultivo delícias no teu rico pomar de prazeres

Vértebra
Adriana Linhares

 

não gravar letras e nomes
não decorar listas e números
um jeito próprio de eleger memórias-pele
como o desenho de tuas digitais
que parecem não casuais,
a arquitetura de uma escuta-pólen
que atravessou algum inverno
ou por exemplo
o santuário que foi olhar aquela
possibilidade quase perdida

 

não há espaço para acumular outros nexos
enquanto observo as gargalhadas em
terremoto de todas as crianças
de um país abandonado
ou no momento em que percebo os
pasmos da manhã
cada vez mais sem ar com a vida se
desdobrando em liberdades cifradas

 

é uma guerrilha esse corpo circense
de revoadas bárbaras
onde palavras garoam
sem domínio ou dossiê

 

é delicada a vértebra de uma rebelião
que se levanta diariamente

TURBILHÃO (aos meninos de rua)
De: Laura Miranda

 

Crianças famintas, 
homens de pé no chão,
mulheres sujas, imundas, deitadas no chão,
num gozo fedido cheiro de podridão.
Odores de álcool, 
Cola, sujeira, restos de
comida,  trapos, ratos, papelão.

 

Em cima do viaduto,
carros de luxo, 
blindados, escuros, 
levando e trazendo
indivíduos alheios ao que se passa, preocupados, não com a situação,  mas com a aproximação dos fedidos que perambulam, inundam, enfeiam sua existência, 
sua irrelevante vida, sua pobreza,  sua tristeza. 

JÁ PÔDE. JÁ PODE?

De: Emerson Pires

 

Estão censurando as artes, sabia?

Não pode determinada exposição.

Não pode determinado filme.

Não pode determinada charge.

Não pode. Não pode. Não pode.

Puseram um bode no meio da sala                                

E agora é tudo não pode!
Quero expressar o meu rancor,
Mas aqui, neste espaço? Pode?

Será que vão me prender, torturar?

Será que vão me matar?

Isso tudo já foi permitido.

Sim, é fato - já pôde.

Será que de novo já pode?

Queria até finalizar estes versos

Numa palavra terminada em ODE.

Mas será que vão me censurar?

Será que pode? Já pôde!